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12/03/2009
4 X REGGAE 08

Por Pedro Pinhel e Ramiro Zwetsch

Sinal dos tempos: enquanto a raiz sessentista do reggae e do dub guia trabalhos contemporâneos nos Estados Unidos e no Brasil, a produção fonográfica da Jamaica privilegia as batidas secas e letras sexistas do ragga. Como esta Radiola não esconde seu saudosismo, criou-se um dilema – para não dizer sacrilégio – para este texto. Dos quatro discos de reggae escolhidos como melhores de 2008, nenhum é jamaicano. Se o bom leitor tiver alguma sugestão de petardo made in Jamaica, lançado no ano passado, escreva pra gente e a sua consideração será orgulhosamente publicada. E, caso ainda não tenha degustado nenhum ou algum destes álbuns, perceba: o reggae embranqueceu elegantemente, sem perder a melanina estereofônica. (RZ)

"Jungle Struttin'", The Lions
The Lions é uma das vertentes da banda Connie Price & The Keystones, do produtor, compositor, guitarrista e baixista angeleno Dan Ubick. As influências do combo são claramente vindas da ilha mais legal do planeta Terra; a sonoridade dos Lions é fortemente influenciada pelo roots reggae, mas não é só isso que se pode conferir em "Jungle Struttin'" (Ubiquity), álbum lancado em meados do ano passado pela rapaziada. Funk, música latina (cúmbia!) e afrobeat também estão presentes no caldo do grupo. Os destaques aqui ficam por conta das densas, graves e grooveadíssimas "Jungle Struttin'", "Hot No No", "Givin' Up Food For Jah" e até mesmo de uma bela versão do clássico "Think (About It)", da diva Lyn Collins, discípula do maestro James Brown. "Jungle Struttin'" é definitivamente um dos grandes lançamentos do ano de 2008. Seus tímpanos hão de concordar! (PP)

"Presents New Flowering Inferno - Death Of The Revolution", Quantic
Muita gente dormiu no ponto em 2008 e esse petardo acabou passando em branco por muitos dos supostos especialistas do gênero em terra brasilis. Em "Quantic presents New Flowering Inferno - Death Of The Revolution" (Tru Thoughts), o multi-homem Will Holland – também responsável pelo classudo reaparecimento da diva do funk Spanky Wilson, entre muitas outras louváveis peripécias – se juntou a diversos músicos colombianos, cubanos, jamaicanos e de diversas outras nações latinas, concebendo esse ótimo play, cheio de referências ao funk, ao reggae e à música latina. O disco segue a linha do supracitado "Jungle Struttin'", da banda The Lions; instrumentações ao vivo, graves no talo, reverências à musica jamaicana sendo o carro-chefe, e muita percussão. Não deixe de conferir as ótimas "Death of The Revolution", "Make Dub Not War" e "Westbound Train" (ótima versão para um clássico de Dennis Brown), além da cubanésima "Juanita Bonita". Trata-se de um disco pra tirar a dama para dançar manemolentemente. (PP)

"Jacuípe Sessions", Rockers Control
Bom reggae é coisa tão rara no Brasil que deve-se comemorar e muito a estreia em disco do Rockers Control. A banda paulistana adquiriu experiência com a estética e o improviso jamaicanos em apresentações na noite, em clubes como Susi em Transe e Hole. “Jacuípe Sessions” transpira a mesma vibração demonstrada ao vivo, com alta fidelidade e despretensão de inovação ao formato original concebido na ilha. É o velho transe, espalhado por doze músicas instrumentais: baixo e bateria empurram o groove em câmera lenta, enquanto guitarra, teclado, percussão e efeitos golpeiam a batida, preguiçosa e criativamente. Gravado na virada de 2005 para 2006 na praia baiana que intitula o trabalho, o disco traz a inusitada contribuição do dono do estúdio (e também pousada), Coaxo do Sapo: Guilherme Arantes toca teclado em metade das faixas. (RZ)

"Vitrola Adubada", Buguinha Dub
A parada aqui é dub com sotaque pernambucano. Buguinha é o engenheiro de som dos sempre potentes shows da Nação Zumbi e um pesquisador das baixas e altas tecnologias estereofônicas de todos os tipos. Comprometido com os graves e ecos da psicodelia jamaicana e digital, o produtor cria atmosferas de impressionante densidade e demonstra autoridade na manipulação de ruídos e efeitos. "Tubarão de Bacia" traz participação do vocalista da NZ, Jorge Du Peixe, e uma entre muitas faixas que estabelecem a ponte Jamaica / nordeste brasileiro, com percussão e letra verde e amarelas. O tom brasuca também aparece na pontuação do álbum, todo entrecortado por vinhetas em que o próprio Buguinha emula o discurso de feirante e das locuções de feirantes e vendedores de pamonha, ovos, verduras, etc... – onipresentes do Oiapoque ao Chuí. (RZ)










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